domingo, 24 de julho de 2016

E pior do que a federação, pior do que a torcida, pior do que as manchetes, pior do que o escárnio do rádio e da televisão: foi o juiz.

É, como se vê, um raciocínio monstruoso, que coloca o problema em termos estritamente mercenários. Ora, as profissões e as pessoas dependem ou, antes, dependem sobretudo de valores gratuitos. O MAC hoje não tem um vintém, mas é carregado de valores gratuitos e exclusivos. Venho contar-lhes o ocorrido na A-2 de 87. Objetará alguém que eu estou misturando alhos com bugalhos. Nem tanto, amigos, nem tanto. Nas palavras de meu amigo Eduardo, o maior roubo da história do Abreuzão. Estariam dispostos a vender as joias, os talheres, as cadeiras, os lençóis, o diabo a quatro.  O futebol profissional exige dinheiro, mas não só dinheiro. Ele implica algo mais, ou seja: implica os tais valores gratuitos que conferem a um jogo, a uma pelada uma dimensão especialíssima. Um match representa algo mais que pontapés. Participam da luta dois clubes e todos os seus bens morais, afetivos, líricos, históricos. No Marília, o mais importante é um valor gratuito: — a tradição. 
Vejam só: classificaram-se para as finais Usina São João (com a melhor campanha), Rio Preto, MAC, e Paulista de Jundiaí. Nesse quadrangular apenas um clube conseguiria o acesso a primeira divisão.  Mas já uma dúvida instalava-se em nosso espírito. O sujeito maqueano já não sabia se era ou não uma besta chapada ou, na melhor das hipóteses, uma semibesta. A campanha de 87 viria clarificar o problema. O Usina São João tinha grana a beça e sobrando. Ostentava seu luxo através de seu presidente: Farah. O sujeito tinha muita influência com os magnatas da federação. O time queria subir de todo jeito, e tinha o money pra isso, 
O primeiro jogo do nosso glorioso tigrão foi numa quarta a noite. O começo de qualquer partida é uma janela aberta para o infinito. Vencemos o Paulista por um a zero, no sufoco. A moral que o Marília carregaria dali em diante por obrigação deveria estar escrita aqui. No segundo jogo em Araras, o Usina era favoritíssimo. Disparadamente a frente. Porém, ao soar o apito inicial, todas as possibilidades passam a ser válidas. Como o meu amigo citado, cada um de nós era um maqueano feliz e surpreso ao final da partida. O MAC venceu por dois tentos a um, e passou de surpresa ao verdadeiro favorito a conquistar o acesso a elite naquele ano. O próximo jogo foi em Rio Preto,  os jogadores ainda estavam perfilados e trêmulos. Jogaram muito, e muito melhor que a equipe rio-pretense. Voltamos para a nossa terra com o ótimo empate fora de casa pelo placar de um a um. 
No returno, vencemos em casa o Rio Preto num jogo apertadíssimo. Gabriel, outro grande amigo, vendedor de amendoim e ilustre torcedor estava numa euforia contagiante. O resultado final foi dois a um para nós. Vale ressaltar que os adversários corriam o impossível em campo, com o incentivo financeiro do Usina, Farah e sua companhia limitada. Ou ilimitada. Como quiserem. 
CHEGOU O JOGO FATÍDICO. Foi numa quinta feira á tarde. O efeito da cidade contar com um clube como o MAC, de tamanho inigualável, de valores gratuitos foi: FERIADO MUNICIPAL NA CIDADE DE MARÍLIA para que todos fossem ao Bento de Abreu assistir o jogo. Casa mais que cheia. Lembro-me que o Jorjão ficou de fora do estádio, com o rádio na orelha direita e a esquerda no portão para ouvir a torcida. Eduardo, chegou cedo e garantiu seu lugar: o último degrau de arquibancada do tobogã. Levantou-se toda uma população. Imaginem vocês a luta desigual: — milhares querendo ver a caveira da equipe adversária, posta em desesperadora solidão.  Infelizmente, antes de começarmos a descrever os acontecimentos da partida teremos que voltar um pouco para entendermos o ocorrido. Dulcídio Boschilla é o nome do infeliz. Em 73, ele chorou emocionado após apitar o jogo entre Corinthians e Portuguesa e ser elogiado pelos dois lados. Apitou a final do Paulistão de 87, apesar de ter sofrido um grave acidente de carro dezoito dias antes, na Rodovia Castelo Branco, quando faleceu sua segunda esposa, Berenice Bialski. Ele voltava de Tupã, onde tinha apitado a final da Terceira Divisão Paulista, entre Tupã e PalmitalFoi um dos mais emblemáticos árbitros de todos os tempos no futebol brasileiro. 
Orgulhava-se de, em 26 anos apitando partidas de futebol, jamais ter tido padrinho que o ajudasse nas escalas. Talvez por isso, jamais chegou ao quadro da Fifa. Era rigoroso e durão. Veio para Marília de Belo Horizonte, passando por São Paulo. Chegou num calor de quarenta graus ás cinco da tarde. 
Antes da partida, o MAC solicitou que os torcedores aplaudissem o árbitro, e entregou-lhe flores pela recente perda de sua esposa. Tudo pronto para que o jogo fosse neutro em relação a arbitragem. A nossa torcida pulsava o Marília Atlético Clube. 15 mil vozes empurrando inconstantemente. Amigos, eu já lhes disse: não existe nada mais lindo que a torcida alviceleste. Não precisou de muito tempo. Aos 10 minutos, Careca abre o placar cortando o lateral e deixando a bola no ângulo. Um golaço, uma pintura para ser desenhada na parede do Abreuzão. O Estádio veio abaixo. Eu vos digo: — “esquecer” não é bem o termo. Ou por outra: — o mariliense pode “esquecer” da boca para fora. Mas na verdade esse jogo também é inesquecível. Insisto: — apesar de todo o ocorrido e toda  ingratidão, é imortal. E por isso, porque ninguém pode enxotá-lo da nossa memória. Não havia ninguém, disposto a aplaudir ou simplesmente reconhecer os nossos possíveis méritos. Estávamos subindo para a A-1, em puro êxtase. Até que chega o momento de sermos operados. Uma falta besta para o Usina no meio campo, bola alçada na área e o nosso árbitro marca pênalti para o Usina, só ele, o único no estádio todo que viu. Nem o próprio treinador adversário acreditou. Naquele tempo os salafrários podiam apitar as partidas e com que glorioso, com que genial descaro: — esse juiz era um canalha em estado de pureza, de graça, de autenticidade. Um a um com o Marília nervoso demais. Dois jogadores nossos expulsos no segundo tempo, com uma arbitragem nas palavras de Eduardo após a partida: "tendenciosa e covarde". Está provado que o árbitro entrou em campo para meter a mão no bolso do Marília. O ladrão fez o diabo para impedir o triunfo maqueano. Inventou um pênalti, ou seja, deu um gol de presente a eles. Perseguiu os nossos jogadores com um descaro gigantesco. Não se conhece, na história do futebol, um apito tão cínico e tão vil. O seu pecado mais horrendo, porém, foi a expulsão de nossos jogadores. Com o final por um a um, o MAC ainda dependia só de si mesmo para subir. O Paulista de Jundiaí tinha vencido nada mais, nada menos que NINGUÉM. Entraram em campo e firmes pelo dinheiro que Farah havia garantido, aproveitando dois desfalques do Marília seguraram bravamente o empate no zero a zero. Ainda tínhamos a vaga, bastava o Usina não vencer dentro de casa a equipe do Rio Preto. O suposto jogo (não se pode chamar aquilo de jogo) em Araras seguia zero a zero até os 30 do segundo tempo. Quando o ZAGUEIRO do Rio Preto faz um gol descarado, CONTRA. Um a zero, e o Usina sobe naquele ano vergonhosamente por ter feito melhor campanha. Com uma humildade assim abjeta, ninguém consegue atravessar a rua, sob pena de ser atropelado por uma carrocinha de Chica-bon. — O canalha pode existir, mas contido, frustrado, inédito, sem função e sem destino. Aprontou-nos essa, uma falcatrua de grana e um abuso de contatos e jeitos de cartolas, que foi agora lembrado e eternizado, enquanto existir ao menos internet: na história do Marília Atlético Clube. 






quarta-feira, 22 de junho de 2016

Os alambrados do Bento de Abreu

Uma torcida não vale a pena pela sua expressão numérica. Ela vive e influi no destino das batalhas pela força do sentimento. E a torcida maqueana leva um imperecível estandarte de paixão. É fato que o time cresce quando tem o apoio da torcida. E no caso do Marília esse casamento é histórico, sendo decisivo para vários momentos do clube. Existe a tradição da geral. Ah, a geral tem histórias e histórias, pra contar, dar e vender. O vender inclui o amendoim, o espetinho e o refrigerante. Já disse a vocês sobre o Zeca, aquele sujeito que gostava mais do alambrado que da mãe. Zeca tinha uma paixão inacreditável por aquele "quase setor" do Bento de Abreu. Fazia questão de divulga-lo e esclarecer sua importância para o Marília, para o futebol, para o mundo. O coitado aprendeu tudo isso sozinho, na marra. Nós de Marília não podemos excluír os alambrados das atribuições da nossa torcida. É uma tradição desde as crianças aos senhores.
A torcida no alambrado pode salvar ou liquidar um time. Zeca sabia bem disso, e mesmo sendo um maqueano digno de muito respeito, já praticou muito da cornetagem. Os alambrados falam, amigos. Dependendo do seu humor, ele eleva a equipe aos deuses ou a joga no inferno. Essas vozes que ecoam dos alambrados tem a face do torcedor maríliense, sem contar que é muito democrático. Não tenho hoje um jogo para dizer-lhes, são tantos com mãos e olhos nas grades que os filmes passam sem que dê tempo de eu escreve-los. Já vivemos e sentimos de tudo naquelas grades, sentimos muitas vezes o seu fel, e outras tantas o seu mel. Juntar-se na grade pra pressionar o adversário, conversar com os jogadores, ser treinador por 90 minutos, não tem preço. Infelizmente sabemos que se tivesse, no futebol de hoje custaria muito caro. Confesso a vocês que não gostam de estar ali: não é nada confortável. Zeca deixa isso muito claro: ele se dedica a sofrer pelo Marília. É uma vigília religiosa. Não ver o batedor do escanteio, não ver se a bola saiu do outro lado (e gritar mesmo assim), estar em pé os noventa minutos. Pra mim, é mais do que comum, se torna uma obrigação. Existe ainda quem nos julga, por não deixar a tradição morrer e não deixar com que o futebol no interior também se torne elitizado. É muito mais que estar ali, é resistência. Aqui, em toda a extensão do território nacional, começávamos a desconfiar que é bom, que é gostoso estar ali. Está claro que não estou subestimando o peito dos outros, pelo contrário. Mas estou estufando o meu e de meu companheiro. Por exemplo: cada grito vindo do alambrado é um hino nacional. É a vontade de ver o alviceleste vencer, estar na beira do campo, jogando junto. A vitória muitas vezes deveria ser dada a nós. Pela injeção de auto-estima ou pela desmoralização do adversário. Calculo que, a essa altura, as cinzas do futebol moderno em Marília haviam de estar humilhadíssimas por terem metido um acrílico ridículo nas cadeiras cativas. Só os bobos, só os tapados não enxergam o quão prejudicial ao MAC é aquilo. Mas eu vos digo, aqui, que ninguém nos ouve: — nós continuaremos. Amigos, nada descreve o uivo, o urro que soltamos aqui quando o Zeca atirou o seu berro bestial: — “Gol!”. E o bonito é que esse torcedor não se abala, nem se entrega. Possui a sanidade mental. Debaixo daquela tensão emocional dantesca, só o torcedor alambradino suportaria tanta carga histórica. Eu já disse que, no formidável e harmônico esforço do escrete, todos parecem merecer uma glória igual. É dificílimo destacar este ou aquele. Mas nos momentos de Marília Atlético Clube quase nunca destacamos ou damos os devidos créditos a quem constrói a vitória e a derrota: o alambradino maqueano. O torcedor estava errado quando o imaginava incapaz de paixão, incapaz de gana, incapaz de garra. O alambradino é capaz de tudo, inclusive nada. Após a partida, ele mais que o jogador: molhou a camisa, derramou até a última gota de suor, matou-se de torcer. Volta pra casa satisfeito com seu desempenho. Ou não. Ou um não enorme. Os simples, os bobos, os tapados hão de querer sufocar a vitória nos seus limites estritamente esportivos. Ilusão! Nós conhecemos a verdade! O problema de forma física e técnica não existe para nós, nunca existiu. Estamos acima do bem e do mal.

As imagens são de Gabriel Coiso.









terça-feira, 21 de junho de 2016

Foi a vitória da história do Maqueano

Amigos, estamos atolados na mais brutal euforia. Ontem, quando a lua dava charme ao céu, o Marília era proclamado bicampeão da série A-2. Foi um título que o escrete arrancou de suas rútilas entranhas. E, a partir da vitória, sumiram os imbecis, e repito: — não há mais idiotas nesta terra. Súbito o maqueano, do pé-rapado ao grã-fi no, do presidente ao contínuo, o maqueano, dizia eu, assume uma dimensão inesperada e gigantesca. O bêbado tombado na sarjeta, com a cara enfiada no ralo, também é rei. Somos 160 mil reis. A cidade de Marília merece um clube como o nosso!
Luzes de macumbas nas esquinas, botecos iluminados como velórios. Vinte e quatro horas antes da batalha, já tropeçavam na rua os bêbados da angústia. Amigos, nunca foi tão foda ser profeta.Outrora o maqueano era um inibido até para comer um morango, - Sim, Marília adora comer morango - agora não. Cada um de nós foi investido de uma vidência deslumbrante. Nós sentíamos o bi, nós o apalpávamos, nós o farejávamos. Mas em alguns instantes sentíamos que ele estava distante. O coração maqueano é o órgão mais confuso em nós. Se um órgão pode ser confuso imaginem o coração. Ele, embora cheio de medo, se enche de esperança com qualquer coisa minúscula. O coração maqueano também é frustrado com seus planos. Por isso existia dentro de cada peito alviceleste essa tremenda angústia. 
Mas falemos do escrete. Esse time de negros ornamentais, folclóricos, divinos deslumbrou São Paulo. Foi o futebol mais aguerrido que jamais olhos marilienses contemplaram. A vontade de vencer, embora a ampla vantagem da equipe adversária se tornava mais evidente a cada minuto passado na partida. A cidade estava no Bento de Abreu aquele dia. Fisicamente, ou com os ouvidos, ou com o coração. Sei lá. De alguma forma coube toda nossa cidade dentro de um pequeno espaço de tempo, de emoção, e de euforia. A francana sentiu um adversário incomum: toda Atena, preparada com seus guerreiros para uma luta histórica, de matar ou morrer. Na nossa torcida, os soldados estavam prontos para a guerra. Era ali que mudaríamos nossas vidas.
O sentimento mudou com o decorrer da partida. O Marília jogava tanto que seu povo cresceu e estufou o peito. De repente o que era desconfiança e angústia tornou-se êxtase. Nunca um povo teve uma certeza tão violenta e tão passional. O escrete tinha de vencer porque não era somente o escrete, era também o Marília, era também o homem maríliense. Sim, Marília é uma pátria que gera filhos pro mundo. Gerou também um dos clubes mais encantadores que poderia existir em todas as terras e em todos os lugares. Nem na Inglaterra, na Itália, Alemanha ou Suécia existe um clube mais espetacular e sombrio - entre o mistério e a euforia - que o MAC. Nenhuma força humana ou divina poderia quebrar-nos o ímpeto sagrado. 
A virada veio de forma heroica, histórica. Um três a zero cheio de medos, de história, de emoção. E de alegria. Uma alegria azul celeste, cor do céu da manhã em um domingo com a família. Em grandes lances, só o Marília poderia nos proporcionar uma noite pra torcer e se apaixonar. Saímos todos muito mais apaixonados pelo Tigrão. Nosso Tigre lutou, esteve o tempo todo encarando o adversário com um ar de vitória e sarcasmo. Esse sarcasmo que nos deixou tão perto de jogar no lixo toda essa história nos ataques da Francana. Eles eram venenosos e perigosos a todo tempo. Poderiam ser o quanto tentassem. Nada nos tiraria aquela taça, aquele dia e aquele momento.  Hoje o MAC tem a potencialidade criadora de uma nação de napoleões. Convença- -se, leitor: — você é napoleônico. Foi dia de choro, de emoções e sentimento explícito ao Marília Atlético Clube.










segunda-feira, 13 de junho de 2016

Um Neymar por dia

Amigos, não deve existir um amante de futebol que não tenha comentado sobre a seleção brasileira nesse começo de semana. E eu venho-lhes dizer o seguinte, o que é o pior: o interior de São Paulo é cheio de "Neymares". Sim! Um só não basta. No MAC mesmo, já chegou por aqui cerca de 90 com esse perfil desprezível, que desrespeita não só nossa camisa, todo o interior, e o FUTEBOL BRASILEIRO. Não só a glória. Também a desonra pode ser outra soma de mal-entendidos.
É uma onda gigante e maldita que chegou em Marília pra ficar. Nas últimas temporadas, tanto na categoria de base quanto no profissional, esses jogadorezinhos desfilaram com o escudo maqueano no peito. Eu fazia questão sempre, de observa-los de olhos atentos nos alambrados. Minha última revolta, tirando essa, foi quando nossa torcida, já irritadíssima, decidiu pegar no pé de um moleque. E ele se rebelou contra nós,crente que era craque, fez gestos pra nossa torcida. Pois é. Pecado sem perdão. Eu, ou melhor, nós fizemos questão de persegui-lo o restante final da partida. Após o término, fui até a janela do vestiário. Claro, xingar mais um pouco. É imperdoável, não tenho ressentimentos. Essa atitude se repete em Marília, de minha parte e da parte dos jogadores. Um subdesenvolvido não pode manter a sua dignidade sem o protesto. É o protesto, repito, que o salva, que o redime e que o potencializa. Posso dizer que inflluiu na vaia, além do mais, um certo cansaço, um certo tédio de ter ali, na sua fuça algo que nunca te representou. Muito menos nosso tigre. Nossa alma guerreira não permite jogadores sem raça, sem dignidade. É um espírito maqueano que está sendo corrompido. Nada em Marília consegue ser tão ruim quanto o MAC com espírito espancado.
Nos meus tempos de peladas, jogador sem caráter era o zagueiro. Zagueiro não podia ter alma, coração, como os outros jogadores. Beque era frio, calculista e cavalo. Parece-me que o mau caratismo nosso infectou todas as posições possíveis e impossíveis. Desde o roupeiro, massagista até o ponta-esquerda. Puta que pariu! Nosso futebol está muito doente. Temos agora até torcedores sem alma, treinadores covardes, que jogam na arbitragem a culpa de um vexame. Neymares por todos os cantos, dói pra caralho. No MAC, principalmente nas duas últimas temporadas tivemos um escrete de covardes, modinhas, metidos, marrentinhos, e futebol: POUCO, POUQUÍSSIMO. Na base esses malas sem alça estão em todos os treinos. Sua dignidade de torcedor depende de sua indignação. Ou eles, em sua ira, dão arrancos de cachorro atropelado, ou temos de chorar pela sua alma.
O ruim nem é 7x1 por dia. O que fode mesmo é termos um Neymar por esquina.
 "TORCEDORES,UNI-VOS. "


domingo, 5 de junho de 2016

Esperança de um mau caráter

Amigos, vocês podem acreditar: — quem não estiver sofrendo, neste momento, é um mau caráter. E por que mau-caráter? Vou explicar, calma, vou explicar. O MAC passa por uma situação deplorável. E, não me venha com essa. Vai muito além, muito além de mau-olhado. As dívidas nos deixam no fundo do poço. Sem luz, sem esperança. Que terrível! Um maqueano sem esperança é um órfão. A esperança é a mãe do Marília. Hoje, todos nós estamos órfãos.
Lembro-me de uma batalha que tivemos no Bento de Abreu, contra o São Bento de Sorocaba. Era estréia do Campeonato Paulista da Série A-2 de 2002. Naquele ano, nós venceríamos até o Real Madri de Zidane, o problema é que não sabíamos. Não se pode negar a influência daquele primeiro jogo pro restante do campeonato. Perdigão abriu o placar pro nosso lado, porém o São Bento virou o jogo ainda no primeiro tempo, e o pior, em menos de um minuto. Eu e Zeca vimos ali, o mundo maqueano no chão. Zeca, diga-se de passagem: um fiel companheiro de alambrado. O rapaz gostava da grade mais que dá mãe. Porém digo isso a vocês num outro momento. Já ia esquecendo de falar da mãe esperança. Fui testemunha, juro.A diretoria havia prometido uma festa pra entrada do MAC em campo, entretanto não teve nem um rojãozinho. No estádio o público razoável, já comentava que seria mais um ano de sofrimento pra nossa equipe, como nós já estamos mais que acostumados: Não sabíamos quanto sofrimento levaríamos pro resto de nossas vidas naquele ano. Repito: esse foi o jogo do título. O resto foi consequência dessa partida.
Voltamos afobados, errando passes bobos, e vendo o terceiro gol do São Bento cada vez mais perto. As orações pra Nossa Senhora do Manto Azul Celeste pareciam não ser ouvidas. A situação do MAC na partida era deplorável. E por incrível que pareça: piorava. Quando bateu os quarenta minutos do segundo tempo a esperança ia embora junto com a torcida apressada. Maqueano nunca foi paciente, nem solidário com a equipe. Meu amor me manteve colado ao alambrado, com o rosto pálido de Zeca ao meu lado, e o cheiro de cigarro. Zeca durante a partida fumou um maço inteiro. Deixa o cara, o amor faz essas coisas. Nervoso, vocês sabem... Já disse por aqui, nossa identidade estava sendo derrotada. Boa parte da torcida já estava chegando em casa quando nós, (eu e Zeca) vimos descer do céu uma luz, como um decreto divino: NADA TIRA DO MAQUEANO A ESPERANÇA. Nada. Sei que já é contraditório pelo principio do texto, mas meu mau-caratismo permite que eu faça essa observação. Ainda que os vermes nos suguem, ainda que os conselheiros nos extraiam tudo que temos nesse clube, nós sempre vamos ter lá no fundo do peito aquele pequeno ponto-luz de esperança.
Aos 44 Nei Bala colocou pra dentro, empatando a partida. Zeca subia nas grades, comemorou tanto que parecia que nós fizemos o gol da vitória e o jogador era seu filho. É o que eu sempre digo, nunca duvide do Marília. Só que aquele empate não nos levaria pra lugar nenhum. Por isso, Ney Bala bateu o escanteio na cabeça de Sandro Oliveira, e ele saiu pro abraço. Sim, nós viramos a partida nos acréscimos. Eu repito: VIRAMOS. Minha emoção não coube no peito. Nem meu peito esperava, nem meu coração sabia que ali, nós ganhamos o título. Ali, na primeira rodada. Aguardamos então, ansiosos, a nossa luz no fim do túnel.


sexta-feira, 3 de junho de 2016

Conveniência de ser covarde, maqueanos.

Há tempos, fui ao Mineirão, ver um jogo do Marília Master. E confesso: — sempre considerei o Mineirão tão longínquo, remoto, utópica como Constantinopla, Istambul ou Vigário Geral. Pensando sempre no escudo do MAC no peito de alguns amigos anciãos. Conclusão: — recrudesceu em mim o ressentimento contra qualquer espécie de viagem. Mas, enfim, cheguei e assisti à partida. Nos primeiros trinta minutos, houve tudo, rigorosamente tudo, menos futebol. Uma vergonha de jogo. A partir dali então o jogo é só lembranças de um episódio que parece se repetir todas as partidas no Abreuzão. Quando surge a figura inesperada do árbitro, ou seu juiz, ou filho da puta pros menos íntimos. Ele é a figura que consegue mudar um match de quinta classe, deixando-o em uma dimensão nova e eletrizante. Eis o fato: — um jogador qualquer enfiou o pé na cara do adversário. Que fez o juiz? Arremessa-se, precipita-se com um élan de Robin Hood e vem dizer as últimas ao culpado. Isso não pode resultar em coisas positivas. Em Marília, a arbitragem entra em choque tão rápido quanto Carlos Alberto. Entretanto, aquele valente senhor decidiu enfrentar o jogador alviceleste. O clima virou, de repente uma chuva de cuspes vindos do alambrado sobre os bandeirinhas, a fúria de outros torcedores entravam dentro do campo.  Mas o episódio não esgotara ainda o seu horror. Restava o desenlace: — a fuga do homem. Teve de sair no pinote, sem chances de conversa. O elenco maqueano inteiro trataria de eliminá-lo, e se não o fizessem: a torcida faria. Pois o juiz esbofeteado não teve meias medidas: — deu no pé. Convenhamos: — é empolgante um pânico assim taxativo e triunfal, sem nenhum disfarce, nenhum recato. Digo “empolgante” e acrescento: — raríssimo ou, mesmo, inédito. Via de regra, só o heroísmo é afirmativo, é descarado. O herói tem sempre uma desfaçatez única: — apresenta-se como se fosse a própria estátua eqüestre. Mas a covardia, não. A covardia acusa uma vergonha convulsiva. Tenho um amigo que faz o seguinte: — chega em casa, tranca-se na alcova, tapa o buraco da fechadura e só então, na mais rigorosa intimidade — apanha da mulher. Um fato covarde, e fatos covardes socialmente não são considerado fatos. É complexo como o árbitro, como o Marília, e como sua torcida. A covardia é confusa, principalmente se na Vicente Ferreira. Nem mesmo o setor mais elitizado do estádio deixou de fazer parte desse momento histórico, urravam: CANALHA, CANALHA. Quando eu falo de violência naquele local, não posso, jamais, ser exagerado.O MAC é violento com ele mesmo. Pois bem. Ao contrário dos outros covardes, que escondem, que renegam, que desfiguram a própria covardia — o juiz correu como um cavalinho de carrossel. Note-se: há hoje toda uma monstruosa técnica de divulgação, que torna inexeqüível qualquer espécie de sigilo. E, logo, a imprensa e o rádio envolveram o árbitro. Essa covardia fotografada, irradiada, televisionada projetou-se irresistivelmente. E quando, em seguida, a polícia veio dar cobertura ao árbitro, este ainda rilhava os dentes, ainda babava materialmente de terror. Acabado o match a multidão veio passando, com algo de fluvial no seu lerdo escoamento. Mas todos nós, que só conseguimos ser covardes às escondidas, tínhamos inveja, despeito e irritação dessa pusilanimidade que se desfraldara como um cínico estandarte. Quantas vezes nossa covardia nos impede até mesmo de declarar amor eterno ao nosso clube, no meio da cancha? Quantos covardes não assumem nossa camisa? Esses não nos representam amigos. Por Nelson, claro e sempre.



O Marília é nosso!

Neste momento, o interior todo está de olho no magnífico escrete maqueano. A toda hora e em toda a parte, há quem chegue e rosne ao nosso ouvido: — “Ofereceram tanto por fulano, tanto por cicrano, tanto por beltrano!” São os grandes clubes de capital, de Minas, Rio, São Paulo, de não sei onde que acenam os seus milhões para os maqueanos. Itamar já foi pescado. E há ofertas nababescas para Quita, Toninho, Itamar, etc. etc. E observa-se, então, o seguinte: — os clubes de destaque, que deviam estar alarmados, não estão alarmados coisa nenhuma. Pelo contrá- rio: — do lábio pende-lhes a baba elástica e bovina da cobiça. Não vejo nenhum clube disposto a lutar pela preservação de suas revelações. Todos estão com água na boca e aflitos para embolsar os milhões dos passes. Ninguém se lembra de que é necessário manter o futebol do interior vivo. Se na pureza daquele ano mantivéssemos os nossos talentos, poderíamos ser diferentes hoje. Claro, o mundo dá voltas. O MAC se mantém vivo até hoje, mas não se sabe até quando graças as más negociações e sangue-sugas em nossas veias. E, de fato, amigos. O futebol interiorano praticará um suicídio se permitir, por uma questão de cifras, que se desintegre a equipe que deslumbrou o país. Ilusão! Um Marília em campo não tem preço. Os jogadores que nos vestem são história, presente e futuro. Eles tem a responsabilidade de nos colocar em êxtase ou nos velar em nossas salas. É um quadro que, segundo o testemunho dos críticos europeus, alcançou o nível mais alto do futebol, em qualquer tempo. Vejam bem: — Vivemos admirando sempre um futebol que não era jogado por nós. Babamos para os clubes de São Paulo, como se nosso desejo fosse um dia ser, como são eles. Isso em Marília não pode ser tomado como verdade. O MAC possuí uma identidade nunca vista em um clube da capital. Nem na Javari, nem no Canindé. O nosso sofrimento.
Maqueano que não sofre, não o é. Jogadores nossos sempre sofreram com as condições dificílimas que o clube lhes dava. Deve ser isso um importante fator para tantos saírem de Marília sem jamais esquecer e querer ajudar. Nosso sofrimento diário se reflete em campo como espírito de luta. A nossa luta, ninguém da terra da garoa conhece, nem espera conhecer. A alta paulista sente-se glorificada em ter um time tão brigador, tão admirável quanto aquele do Marília que venceu o Santos. Vencer o Santos nunca foi fácil amigos. E sim, eu sei que o Santos não é da capital, e está um passo a frente desses. Mas como eu ia perguntando: — será o maríliense tão estúpido para negar um clube como o nosso? Será o maríliense tão ingenuo de não enxergar tamanha grandeza diante dos seus olhos? Amigos, nenhuma cidade tem o direito de renunciar a um escudo como este. Os outros poderão usar o argumento de um lucro certo e imenso, conquistas por todos os corredores. Ao que eu respondi: — uma glória mentirosa, conquistada sobre o dinheiro de meia dúzia, num prejuízo real e irrecuperável para o futebol. E se os nossos clubes fossem menos obtusos, já teriam percebido que deviam chutar os milhões que o mundo oferecer pelos nossos supercraques. Permitir a dissolução da equipe não será um crime, porque é, antes de tudo, um suicídio. Por Nelson, claro.