sexta-feira, 3 de junho de 2016

O Marília é nosso!

Neste momento, o interior todo está de olho no magnífico escrete maqueano. A toda hora e em toda a parte, há quem chegue e rosne ao nosso ouvido: — “Ofereceram tanto por fulano, tanto por cicrano, tanto por beltrano!” São os grandes clubes de capital, de Minas, Rio, São Paulo, de não sei onde que acenam os seus milhões para os maqueanos. Itamar já foi pescado. E há ofertas nababescas para Quita, Toninho, Itamar, etc. etc. E observa-se, então, o seguinte: — os clubes de destaque, que deviam estar alarmados, não estão alarmados coisa nenhuma. Pelo contrá- rio: — do lábio pende-lhes a baba elástica e bovina da cobiça. Não vejo nenhum clube disposto a lutar pela preservação de suas revelações. Todos estão com água na boca e aflitos para embolsar os milhões dos passes. Ninguém se lembra de que é necessário manter o futebol do interior vivo. Se na pureza daquele ano mantivéssemos os nossos talentos, poderíamos ser diferentes hoje. Claro, o mundo dá voltas. O MAC se mantém vivo até hoje, mas não se sabe até quando graças as más negociações e sangue-sugas em nossas veias. E, de fato, amigos. O futebol interiorano praticará um suicídio se permitir, por uma questão de cifras, que se desintegre a equipe que deslumbrou o país. Ilusão! Um Marília em campo não tem preço. Os jogadores que nos vestem são história, presente e futuro. Eles tem a responsabilidade de nos colocar em êxtase ou nos velar em nossas salas. É um quadro que, segundo o testemunho dos críticos europeus, alcançou o nível mais alto do futebol, em qualquer tempo. Vejam bem: — Vivemos admirando sempre um futebol que não era jogado por nós. Babamos para os clubes de São Paulo, como se nosso desejo fosse um dia ser, como são eles. Isso em Marília não pode ser tomado como verdade. O MAC possuí uma identidade nunca vista em um clube da capital. Nem na Javari, nem no Canindé. O nosso sofrimento.
Maqueano que não sofre, não o é. Jogadores nossos sempre sofreram com as condições dificílimas que o clube lhes dava. Deve ser isso um importante fator para tantos saírem de Marília sem jamais esquecer e querer ajudar. Nosso sofrimento diário se reflete em campo como espírito de luta. A nossa luta, ninguém da terra da garoa conhece, nem espera conhecer. A alta paulista sente-se glorificada em ter um time tão brigador, tão admirável quanto aquele do Marília que venceu o Santos. Vencer o Santos nunca foi fácil amigos. E sim, eu sei que o Santos não é da capital, e está um passo a frente desses. Mas como eu ia perguntando: — será o maríliense tão estúpido para negar um clube como o nosso? Será o maríliense tão ingenuo de não enxergar tamanha grandeza diante dos seus olhos? Amigos, nenhuma cidade tem o direito de renunciar a um escudo como este. Os outros poderão usar o argumento de um lucro certo e imenso, conquistas por todos os corredores. Ao que eu respondi: — uma glória mentirosa, conquistada sobre o dinheiro de meia dúzia, num prejuízo real e irrecuperável para o futebol. E se os nossos clubes fossem menos obtusos, já teriam percebido que deviam chutar os milhões que o mundo oferecer pelos nossos supercraques. Permitir a dissolução da equipe não será um crime, porque é, antes de tudo, um suicídio. Por Nelson, claro.






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