terça-feira, 21 de junho de 2016

Foi a vitória da história do Maqueano

Amigos, estamos atolados na mais brutal euforia. Ontem, quando a lua dava charme ao céu, o Marília era proclamado bicampeão da série A-2. Foi um título que o escrete arrancou de suas rútilas entranhas. E, a partir da vitória, sumiram os imbecis, e repito: — não há mais idiotas nesta terra. Súbito o maqueano, do pé-rapado ao grã-fi no, do presidente ao contínuo, o maqueano, dizia eu, assume uma dimensão inesperada e gigantesca. O bêbado tombado na sarjeta, com a cara enfiada no ralo, também é rei. Somos 160 mil reis. A cidade de Marília merece um clube como o nosso!
Luzes de macumbas nas esquinas, botecos iluminados como velórios. Vinte e quatro horas antes da batalha, já tropeçavam na rua os bêbados da angústia. Amigos, nunca foi tão foda ser profeta.Outrora o maqueano era um inibido até para comer um morango, - Sim, Marília adora comer morango - agora não. Cada um de nós foi investido de uma vidência deslumbrante. Nós sentíamos o bi, nós o apalpávamos, nós o farejávamos. Mas em alguns instantes sentíamos que ele estava distante. O coração maqueano é o órgão mais confuso em nós. Se um órgão pode ser confuso imaginem o coração. Ele, embora cheio de medo, se enche de esperança com qualquer coisa minúscula. O coração maqueano também é frustrado com seus planos. Por isso existia dentro de cada peito alviceleste essa tremenda angústia. 
Mas falemos do escrete. Esse time de negros ornamentais, folclóricos, divinos deslumbrou São Paulo. Foi o futebol mais aguerrido que jamais olhos marilienses contemplaram. A vontade de vencer, embora a ampla vantagem da equipe adversária se tornava mais evidente a cada minuto passado na partida. A cidade estava no Bento de Abreu aquele dia. Fisicamente, ou com os ouvidos, ou com o coração. Sei lá. De alguma forma coube toda nossa cidade dentro de um pequeno espaço de tempo, de emoção, e de euforia. A francana sentiu um adversário incomum: toda Atena, preparada com seus guerreiros para uma luta histórica, de matar ou morrer. Na nossa torcida, os soldados estavam prontos para a guerra. Era ali que mudaríamos nossas vidas.
O sentimento mudou com o decorrer da partida. O Marília jogava tanto que seu povo cresceu e estufou o peito. De repente o que era desconfiança e angústia tornou-se êxtase. Nunca um povo teve uma certeza tão violenta e tão passional. O escrete tinha de vencer porque não era somente o escrete, era também o Marília, era também o homem maríliense. Sim, Marília é uma pátria que gera filhos pro mundo. Gerou também um dos clubes mais encantadores que poderia existir em todas as terras e em todos os lugares. Nem na Inglaterra, na Itália, Alemanha ou Suécia existe um clube mais espetacular e sombrio - entre o mistério e a euforia - que o MAC. Nenhuma força humana ou divina poderia quebrar-nos o ímpeto sagrado. 
A virada veio de forma heroica, histórica. Um três a zero cheio de medos, de história, de emoção. E de alegria. Uma alegria azul celeste, cor do céu da manhã em um domingo com a família. Em grandes lances, só o Marília poderia nos proporcionar uma noite pra torcer e se apaixonar. Saímos todos muito mais apaixonados pelo Tigrão. Nosso Tigre lutou, esteve o tempo todo encarando o adversário com um ar de vitória e sarcasmo. Esse sarcasmo que nos deixou tão perto de jogar no lixo toda essa história nos ataques da Francana. Eles eram venenosos e perigosos a todo tempo. Poderiam ser o quanto tentassem. Nada nos tiraria aquela taça, aquele dia e aquele momento.  Hoje o MAC tem a potencialidade criadora de uma nação de napoleões. Convença- -se, leitor: — você é napoleônico. Foi dia de choro, de emoções e sentimento explícito ao Marília Atlético Clube.










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