Amigos, vocês podem acreditar: — quem não estiver sofrendo, neste
momento, é um mau caráter. E por que mau-caráter? Vou explicar,
calma, vou explicar. O MAC passa por uma situação deplorável. E, não me venha com essa. Vai muito além, muito além de mau-olhado. As dívidas nos deixam no fundo do poço. Sem luz, sem esperança. Que terrível! Um maqueano sem esperança é um órfão. A esperança é a mãe do Marília. Hoje, todos nós estamos órfãos.
Lembro-me de uma batalha que tivemos no Bento de Abreu, contra o São Bento de Sorocaba. Era estréia do Campeonato Paulista da Série A-2 de 2002. Naquele ano, nós venceríamos até o Real Madri de Zidane, o problema é que não sabíamos. Não se pode negar a influência daquele primeiro jogo pro restante do campeonato. Perdigão abriu o placar pro nosso lado, porém o São Bento virou o jogo ainda no primeiro tempo, e o pior, em menos de um minuto. Eu e Zeca vimos ali, o mundo maqueano no chão. Zeca, diga-se de passagem: um fiel companheiro de alambrado. O rapaz gostava da grade mais que dá mãe. Porém digo isso a vocês num outro momento. Já ia esquecendo de falar da mãe esperança. Fui testemunha, juro.A diretoria havia prometido uma festa pra entrada do MAC em campo, entretanto não teve nem um rojãozinho. No estádio o público razoável, já comentava que seria mais um ano de sofrimento pra nossa equipe, como nós já estamos mais que acostumados: Não sabíamos quanto sofrimento levaríamos pro resto de nossas vidas naquele ano. Repito: esse foi o jogo do título. O resto foi consequência dessa partida.
Voltamos afobados, errando passes bobos, e vendo o terceiro gol do São Bento cada vez mais perto. As orações pra Nossa Senhora do Manto Azul Celeste pareciam não ser ouvidas. A situação do MAC na partida era deplorável. E por incrível que pareça: piorava. Quando bateu os quarenta minutos do segundo tempo a esperança ia embora junto com a torcida apressada. Maqueano nunca foi paciente, nem solidário com a equipe. Meu amor me manteve colado ao alambrado, com o rosto pálido de Zeca ao meu lado, e o cheiro de cigarro. Zeca durante a partida fumou um maço inteiro. Deixa o cara, o amor faz essas coisas. Nervoso, vocês sabem... Já disse por aqui, nossa identidade estava sendo derrotada. Boa parte da torcida já estava chegando em casa quando nós, (eu e Zeca) vimos descer do céu uma luz, como um decreto divino: NADA TIRA DO MAQUEANO A ESPERANÇA. Nada. Sei que já é contraditório pelo principio do texto, mas meu mau-caratismo permite que eu faça essa observação. Ainda que os vermes nos suguem, ainda que os conselheiros nos extraiam tudo que temos nesse clube, nós sempre vamos ter lá no fundo do peito aquele pequeno ponto-luz de esperança.
Aos 44 Nei Bala colocou pra dentro, empatando a partida. Zeca subia nas grades, comemorou tanto que parecia que nós fizemos o gol da vitória e o jogador era seu filho. É o que eu sempre digo, nunca duvide do Marília. Só que aquele empate não nos levaria pra lugar nenhum. Por isso, Ney Bala bateu o escanteio na cabeça de Sandro Oliveira, e ele saiu pro abraço. Sim, nós viramos a partida nos acréscimos. Eu repito: VIRAMOS. Minha emoção não coube no peito. Nem meu peito esperava, nem meu coração sabia que ali, nós ganhamos o título. Ali, na primeira rodada. Aguardamos então, ansiosos, a nossa luz no fim do túnel.


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