Naquele tempo tudo era diferente. Por exemplo: — a torcida tinha uma ênfase, uma grandiloqüência de ópera. Nós maqueanos sempre tivemos uma torcida enlouquecida, violenta ao extremo, catimbenta. Jogar contra nós era um inferno, na mesma proporção que jogar por nós. Quem não jogou no MAC não tem emocional pra aguentar uma batalha do interior como a que viria. Quantas vezes o craque esquecia a pelota e saía em frente, ceifando, dizimando, assassinando canelas, rins, tórax e baços adversários? Passou-se. Ah, se o Marília jogasse hoje com a mesma alma de 1975. Admite, é claro, as convenções disciplinares que o futebol moderno exige. Mas o comportamento interior, a gana, a garra, o élan são perfeitamente inatuais. O Marília quando tem raça pode vencer o mundo, ninguém segura. A torcida - cujo a paixão é sua principal característica - torna-se o décimo segundo jogador alviceleste. Note-se: — não se trata de um fenômeno apenas da torcida.. Time e torcida completam-se numa integração definitiva. O adepto de qualquer outro clube recebe um gol, uma derrota, com uma tristeza maior ou menor, que não afeta as raízes do ser. O verdadeiro torcedor maqueano, não. Se entra um gol adversário, ele se crispa, ele arqueja, ele vidra os olhos, ele agoniza, ele sangra como um césar apunhalado. Sua identidade está dentro de campo, e claro ele se identifica.
Se identificar, é isso. Isso que o MAC precisa hoje. Não só a torcida como o escrete. Se ver dentro do clube, sentir-se ali. Quem poderia dizer que jogou num dos maiores clubes do interior, e um dos mais difíceis de jogar é só quem se identificou em Marília, e na São Luís. E na nove de julho. Putz, sem esquecer a Santo Antônio. Graças (só pode ser divino) nós tivemos homens que se identificaram!
Aquela partida de 75 contra o Noroeste de Bauru nos deixaria ou no céu, ou no inferno. Quem sabe no limbo. Mas nós tínhamos a camisa, a torcida e o que nos deu a vitória no Bento de Abreu: O ESCRETE. Já não posso esquecer do sorriso de orelha a orelha de Narciso. Um maqueano inesquecível, tão quanto o seu sorriso nos gols. Com duas bolas na rede, duas vibrações intensas e uma vontade inacreditável, Marília vencia Bauru. O maríliense que é maqueano sente-se assim em todas as nossas vitórias, afinal, nada melhor que debochar da moral desses narizezinhos empinados, metidos bauruenses.
MAC 1975 : Em pé :Carlos Roberto, Zé Carlos, Ademir, Dárcio, Mineiro e Neuri. Agachados : Quita, Toninho, Itamar, Nélson Lopes e Ferreira.
Vejam este vídeo com gols do São Paulo em 1975.... a Partida diante do MAC foi muito dificil.... o MAC começou ganhando e o SP virou 2 a 1.



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